de poetes portuguesos i macarrons dolços

la calor fa que barregem coses que, en un principi, no sembla que s'hagin de poder fusionar de cap de les maneres. a l'estil de l'oli i l'aigua. malgrat tot, parelles més inversemblants s'acaben trobant a tot arreu, massa a la vora, dins d'un mateix. massa calor, oxímorons i equinocci (a l'estil de maxicosi i minipímer: veieu? les coses es contaminen per atzar o hi ha algun mecanisme que es posa en marxa? tal com ahir tu sortires de l'ascensor al temps que jo en sortia i les nostres mirades esclataren).














Lisboa és una ciutat agredolça per mi. Enmig d'un cataclisme, amb un avió equivocat d'hora, feia força amb els braços per penjar-me del coll de Pessoa. Oa, oa. Pastissos de crema i carrers tristos. Carrers de sol i uns macarrons dolços. Canyella, Eivissa i un record barrejat que potser no té massa sentit. Un vaixell equivocat d'hora i una illa de vendaval de lletres. Per què Lisboa i Eivissa? M'arriba un fragment de poema al mateix temps que un dolç de sant Joan. I, aleshores, es fusionen dos records i es tornen un, es compliquen els missatges i el matí es l'anunci d'un viatge.
la calor, la calor, massa calor.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

en català

El poeta és fingidor.
Fingeix tan completament
que fins fingeix que és dolor
el dolor que de bo sent.

I qui llegeix el que escriu
en el dolor llegit sent
no els dos que el poeta viu
ans només el que ell no té.

I així per la vida roda,
joguinejant amb la ment,
un tren de corda que roda:
el cor, contínuament.

(adaptació Joaquim Sala-Sanahuja)

els macarrons dolços són unes postres típiques de sant Joan a Eivissa (gràcies P.!!!)

6 caminants:

mi ha dit...

EM POUCAS PALAVRAS LISBOA

Por ser o que és e como és sem pretender ser diferente: como um formoso barco que cruzou numerosas vezes o vasto azul e agora navega despreocupado no seu próprio destino sem pretensões de alcançar costa alguma, e por esse teu e só teu suave sossego que te leva a medir os séculos em lustres e os anos em dias e os dias, Lisboa, mede-los em instantes; por te eregires em formosa senhora outonal, mudando com a luz do sol feito mar e do mar feito céu e horizonte, que a todos se insinua dos miradoures e atalaias, pelo que a ninguém se entrega por completo. Pela tua agradável incomodidade. Pelos teus contrastes de cidade e arrabalde, cosmopolita e urbana, de colinas e precipícios convertidos em lições de experiência humana com sabor agridoce; por seres única no teu abandono e pela tua faculdade para predirpor a alma para a saudade, esse conceito tão difícil de expressar e tão próximo e íntimo, entre as tuas ruas estreitas e penhascosas, entre as tuas praças de sabor mediterrâneo, entre a indigência do escasso e do pequeno, a sujidade das tuas fachadas e a lírica do nome das tuas ruas e becos, (Alecrim, das Jenelas Verdes) e dos teus cemitérios (dos Prazeres) e das tuas janelas e eléctricos... Por ser a cidade do mundo que mais deve à natureza –feta à sua imagem e semelhança e açoitada pelos seus furores tantas vezes quantas desejou– e menos aos seus governantes, que parecem dizer: «Faço o que posso e como posso. Os problemas estão aí. Quem vier amanhã que os resolva. Então já não estarei aqui», ou «Sim, está pior do que estava, mas não tão mal como estaria se não tivessemos feito nada», e por servir de bálsamo desintoxicador –apesar deles e precisamente por isso–, a quantos contaminados das grandes urbes de ti se aproximan, e por nos permitir voltar a viver o já vivido, são motivos suficientes para te considerar, Lisboa, razão de amar.

E eu, magnetizado pelo teu fascínio e pelo teu deslumbramento e pelas tuas constantes insinuações quase palpáveis, tentei penetrar nas tuas mensagens de rua, que, por prosaicas e quotidianas muitas delas, passam despercibidas. E fi-lo com verdadeira contrição, pela minha ousadia de meter a pena onde mergulharam tantas de afamados e respeitados olisipógrafos. Por isso, pretendo apenas ser o último de todos na sala do teu Parnaso, se eu nele puder entrar. E por seres quem és, e porque ao correr da pena às vezes aparece o dardo da ironia –próprio de quem se entristece com o que ama– rogo-te, Lisboa, que desculpes o meu atrevimento.

Monique LaMer ha dit...

Tenim que parlar molt prompte tú i jo d´ambicions, bugyenvil.lees, poetes i la llengua portuguesa, tan trista i tan bonica....afortunadament serà prompte.....

elisabet ha dit...

preciós! mi (no t'amaguis), moltes gràcies!
"e porque ao correr da pena às vezes aparece o dardo da ironia –próprio de quem se entristece com o que ama."
preciós!

Monique! Parlarem prenent el sol a la piscina de casa meva, veient com passen els avions i inventant-nos totes les hiperbòrees a on van...

JOAN CALSAPEU ha dit...

La calor fon records i pensaments en una alquímia caòtica que ens és impossible d'endreçar. Com el formatge que es desfà sobre una llauna de macarrons. Com un ramell d'emocions que es licuen sobre una estora de flors.

elena ha dit...

COMO SI CADA BESO

Como si cada beso
Fuera de despedida,
Cloé mía, besémonos, amando.
Tal vez ya nos toque
En el hombro la mano que llama
A la barca que no viene sino vacía;
Y que en el mismo haz
Ata lo que fuimos mutuamente
Y la ajena suma universal de la vida.

També ha escrit teatre Pessoa, per això el conec...a ell i als seus homònims.
Bespetons!

elisabet ha dit...

la de passions que desperten Lisboa-Pessoa, els macarrons i la caloreta... visca la poesia!
bespetons a Joan i a Elena!

 

passejant barcelona